segunda-feira, 11 de agosto de 2008

a verdade da nossa mentira

taí eu fiz tudo pra você gostar...
fui mulher vulgar-hora santa-bem viada-vândala
tanto fiz
queria uma cena
ou talvez apenas teu carinho
mas tanto tanto fiz...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

contagem regressiva

Acreditei que se amasse de novo
esqueceria outros
pelo menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
organizei a memória em alfabetos
como quem conta carneiros e amansa
no entanto flanco aberto não esqueço
e amo em ti os outros rostos

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.

o inventário do ir-remediável

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
se o caso é chorar
te faço chorar

se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor,
vestir toda a minha dor
no seu traje mais azul
restando em meus olhos o dilema de rir
ou
chorar.

é função do artista violentar

Ja não diz mais nada

ficou calada

por conta do jesto

um adjetivo estúpido

um-por-que?
que morreu em coma
que ainda calado diz muito
pouco.

cor-respondência

Remeta-me os dedos
em vez das cartas de amor
que nunca ecreves
que nunca recebo.

Passeiam em mim essas tardes
que parecem repetir-o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.